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17 Set
Por: mat 0 1

DISCURSO PROFERIDO POR SUA EXCELÊNCIA MINISTRA DE ESTADO DA ÁREA SOCIAL, DRA. CAROLINA CERQUEIRA, POR OCASIÃO DO 17 DE SETEMBRO – DIA DO FUNDADOR DA NAÇÃO E DO HERÓI NACIONAL

Excelência, Sr. Governador da Província do Cuando-Cubango, Dr. Júlio Bessa;

Excelências, Senhores Membros do Executivo,

Excelências, Senhores Deputados;

Dignos familiares e membros da Fundação António Agostinho Neto

Senhores Administradores Municipais e Comunais;

Minhas Senhoras e meus Senhores;

Distintos Convidados.

É um privilégio e uma grande honra , para mim estar aqui na Província do Cuando Cubango, para, em nome de sua Excelência o Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço presidir o Acto Central do Dia do Herói Nacional, acto que se reveste do maior significado por aquilo que é o legado do seu patrono, o Dr. António Agostinho, cujo percurso desde a politica à economia,  passando  pela cultura, pela literatura, pelas artes e pela educação, dentre muitos outros domínios, teve no Homem a sua preocupação maior, o que tão bem traduziu na sua expressão: “ O MAIS IMPORTANTE É RESOLVER OS PROBLEMAS DO POVO”.

Efectivamente, o dia de hoje está consagrado ao Dr. António Agostinho Neto, o Pai Fundador da Nação Angolana, aquele que proclamou a independência política de Angola, pondo termo ao regime colonial que oprimia os Angolanos. É com muita satisfação que acompanhamos a nível de todo o País e na diáspora várias actividades e iniciativas políticas, culturais e cívicas para prestar homenagem ao Primeiro Presidente de Angola, tendo um grande significado a realização do Acto Central na capital da histórica Província do Cuando Cubango, que se reveste dum simbolismo particular, por quanto ,foi aqui nesta cidade de Menongue que a 07 de Fevereiro de 1979, há precisamente 42 anos o Dr. António Agostinho Neto lançou as premissas que levariam à criação das divisa “Na Namíbia, no Zimbabwe e na Africa do Sul está a continuação da nossa luta” quando afirmou e eu gostaria de citar “Nós não temos só responsabilidades dentro do nosso País. Temos responsabilidades no nosso continente. Temos problemas a resolver dentro de África”.

Finalmente, a celebração do Dia do Herói Nacional aqui no Cuando Cubango, reveste-se de um simbolismo particular porquanto, por ironia da história, foi também em terras do Cuando Cubango que, com as batalhas do Cuito Cuanavale, e a vitória sobre o exército racista sul-africano de então, foram criadas as premissas para a independência da Namíbia, para o fim do apartheid e mudanças profundas na África Sul e para celebrar a Libertação da África Austral o que, seguramente contribuirá significativamente para o desenvolvimento de Angola e dos países desta região e, com certeza, permitirá ao Cuando Cubango transformar em riqueza todo o seu potencial.

Efectivamente hoje quatro décadas depois a profecia de Agostinho Neto continua a ser uma preocupação do Executivo Angolano expressa nos esforços para a pacificação da região dos Grandes Lagos e da África em geral, sendo o nosso País um exemplo incontestável de solidariedade, reconciliação nacional e de paz efectiva e duradoura o que ficará comprovado mais uma vez com a realização este ano da segunda edição da Bienal da Paz.

A Bienal da Paz de Luanda é a reafirmação do caminho que conduz os povos à paz através do diálogo da tolerância das pontes da sabedoria, da humildade e do reencontro de ideias e de iniciativas em que as vozes dos políticos, dos artistas, dos homens e das mulheres, jovens e crianças de todos os recantos de África vão fazer de Luanda a capital da Paz e lançar apelos à solidariedade a fraternidade e ao amor. É a concretização do sonho do Presidente Agostinho Neto que almejou uma Angola em que a paz é uma realidade pelo que o seu legado ímpar e sempre actual é inegável e que, por conseguinte, deve ser revisitado, estudado, divulgado e adoptado como fonte de inspiração e conhecimento para trilharmos com firmeza e convicção os caminhos do nosso futuro.

Excelência Senhor Governador da Província do Cuando Cubango,

Excelências,

Para além de ser o maior símbolo da Liberdade e da luta pela Autodeterminação, Agostinho Neto é também símbolo e expoente da Cultura Angolana. Nele se devem rever as novas gerações de angolanos, de modo que saibamos reforçar a nossa identidade nacional e preservar a genuína idiossincrasia dos angolanos nos mais diversos domínios.

Os seus ensinamentos devem continuar a ser seguidos, o que implica que devemos estar atentos aos anseios e expectativas dos cidadãos para que como nos ensinou Neto “O mais importante é resolver os problemas do povo”, apontando-nos um caminho que nos faz passar mais próximos das áreas do Desenvolvimento Humano que de uma visão meramente economicista, caminho esse que estamos a trilhar agora com muito empenho.

Num sistema democrático, o Povo deve ser o ponto de partida e o ponto de chegada das políticas públicas que o Estado executa.

A execução de políticas públicas tem levado o nosso Executivo a estabelecer parcerias com os vários sectores da sociedade – começando pela sociedade civil e transitando para as demais organizações, como os sindicatos e as igrejas, organizações que representam os cidadãos e que participam indirectamente na programação e execução das acções que o Executivo implementa.

Resolver os problemas do povo implica apostar no desenvolvimento humano e nos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável.

A este respeito e numa altura que nos engajamos todos na decisiva batalha da diversificação da economia, continua a ser importante reter o pensamento de Agostinho Neto  quando apontou que “a agricultura é a base e a industria é o factor decisivo” e assim com este pensamento no domínio da economia o Executivo angolano continua a priorizar maior investimento no sector da agricultura e industria, bem como a aposta no emprego estável, enquanto factores que promovem o bem estar das famílias e a boa convivência nas comunidades.

As várias iniciativas levadas a cabo aqui na Província do Cuando Cubango na Jornada comemorativa do Dia do Herói Nacional deram um grande realce à Semana Agrícola com o relançamento das culturas e a maquinização agrícola o que demonstra o investimento que está a ser feito para o relançamento da agricultura e a promoção do emprego para a garantia do desenvolvimento durável e a estabilidade social uma vez que apostar no emprego estável é um investimento seguro para as gerações mais novas.

O Saudoso Presidente Agostinho Neto considerava também a educação e a saúde como sectores vitais do desenvolvimento nacional. No período após a Paz ter sido alcançada em 2002, a questão do desenvolvimento humano começou a ser encarada com maior enfase tendo saltado para o topo das preocupações do Executivo sob a liderança de Sua Excelência o Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, que tem dado a maior atenção às políticas publicas mais impactantes nesse domínio nomeadamente, a Educação e a Saúde.

Efectivamente hoje o nosso Executivo tem feito destes dois pilares que constituem a base do progresso áreas prioritárias de investimento quer através da construção de infraestruturas a um ritmo muitíssimo acelerado como na formação de quadros jovens que têm vindo a ingressar na função pública no sector da educação e da saúde. No entanto fazer chegar a saúde a todos os cantos de Angola é um processo difícil assim como garantir o acesso de milhões de crianças à escola, mas passos largos estão a ser dados através da construção de hospitais e centros de saúde e de escolas ao longo de todo o País no âmbito do Programa Integrado de Intervenção nos Municípios, PIIM, que tem intervenção nos 164 municípios do nosso País.

É um grande desafio, a que temos vindo a responder com toda determinação com vista à uma melhor cobertura escolar e da rede de saúde em cada um dos municípios do nosso País espalhados por 1.247.000 Km quadrados do nosso território.

Por outro lado, estão a ser desenvolvidos esforços para melhorar a sua eficácia e eficiência através da reorganização destes sectores que estão directamente ligados ao bem-estar e à melhoria de qualidade de vida das populações em particular as mais vulneráveis.

Gostaria igualmente de saudar a iniciativa do Governo Provincial do Cuando Cubango em ter feito coincidir com esta data o descerramento do busto do Presidente Agostinho Neto neste Largo e a reinauguração do edifício do Banco Nacional de Angola, completamente renovado e com uma dignidade notável, que vai dar lugar à reabertura oficial da Delegação regional do Banco Nacional de Angola em Menongue. Acompanhamos também com satisfação o lançamento da empreitada da reabilitação e expansão dos sistemas de abastecimento de água nos bairros da cidade do Menongue e o uma feira de artefactos de madeira produzidos pelos profissionais locais utilizando madeira das terras do Cuando Cubango.

No próximo ano, vamos celebrar o centenário do nascimento de Agostinho Neto, um dos filhos mais ilustres de Angola, com celebrações várias, fundamentalmente nos domínios da cultura, das artes e da literatura.

Não nos devemos esquecer que Agostinho Neto se encontra além dos partidos políticos, representando o todo nacional. É uma figura na qual se deve rever cada Angolano de bem, não importando a sua região, raça, a sua origem étnica, o credo religioso ou a opção política para celebrarmos em 2022 o centenário de Agostinho Neto com a dignidade que merece.

Sua Excelência o Presidente da República João Manuel Goncalves Lourenço, Titular do Poder Executivo criou já uma Comissão Multissectorial que se vai ocupar das celebrações do centenário do Fundador da Nação Angolana, evento que deve e envolver toda a sociedade nessas celebrações, merecendo particular destaque algumas organizações da sociedade civil, ligadas às Artes, às Letras e à Literatura.

Excelência, Senhor Governador,

Não posso terminar sem agradecer a sua hospitalidade e de todas as populações desta Província, ao mesmo tempo que enaltecemos o facto de ter sido escolhida a província do Cuando-Cubango para testemunhar este acto.

Aos poucos, o Cuando-Cubango vai se tornando a terra do progresso e a inserir-se cada vez “cada vez mais no todo que é Angola, numa simbiose multicultural e multi-étnica que só nos enriquece enquanto povo no âmbito do nosso continente africano.

O Governo angolano tem como preocupação a integração a favor dos marginalizados por razões culturais ou pela distância em relação à capital do país e com a realização deste acto, a 980 KM da capital do País, Luanda, estamos aqui exactamente a demonstrar que somos a favor da aproximação, inclusão social e da integração entre as diversas regiões desta imensa Angola.

Assim estamos a cumprir a profecia de Agostinho Neto em relação à necessidade de resolvermos de facto os problemas do povo, com imaginação e sabedoria, mas também com vontade de ouvir e de seguir os conselhos dos mais velhos e as opções das novas gerações.

 

Bem-haja Agostinho Neto.

Bem-haja o Cuando-Cubango.

Bem-haja Angola.

 

Muito obrigada.

 

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