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04 Fev
Por: mat 0 0

DISCURSO CENTRAL DAS COMEMORAÇÕES DO 4 DE FEVEREIRO – JOÃO ERNESTO DOS SANTOS

DISCURSO PROFERIDO POR SUA EXCELÊNCIA JOÃO ERNESTO DOS SANTOS, MINISTRO DA DEFESA NACIONAL E VETERANOS DA PÁTRIA, POR OCASIÃO DO ACTO CENTRAL DAS COMEMORAÇÕES DO 4 DE FEVEREIRO – DIA DO INÍCIO DA LUTA ARMADA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL.
Bengo, 04 de Fevereiro de 2021
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Excelência Camarada MARA QUIOSA, Governadora Provincial do Bengo;
Excelências Membros do Executivo;
Distintos Membros do Governo da Província do Bengo;
Eminentes Autoridades Tradicionais;
Reverendíssimas Autoridades Religiosas;
Distintos Convidados;
É com enorme satisfação e sentido de missão que, em representação de Sua Excelência Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, visito a Província do Bengo, por ocasião da comemoração do 4 de Fevereiro de 1961 “Dia do Início da Luta Armada”, memorável acontecimento registado passados 60 anos, quando naquela madrugada gloriosa destemidos patriotas decidiram quebrar as algemas do colonialismo que oprimia o Povo Angolano.
Assim, em primeiro lugar felicito o Governo e o Povo da Província do Bengo, que em representação de todo o povo angolano mereceu a escolha do Executivo Angolano para albergar, nesta histórica cidade de Caxito, o Acto Central do incontornável feito, pelo seu impacto no processo de libertação dos povos africanos em que Angola está inserida.
A escolha da Província do Bengo para albergar este evento justifica-se pelo seu posicionamento estratégico face a capital do país, pois já provou ser um dos símbolos da resistência do povo angolano. Foi há poucos quilómetros desta cidade de Caxito, no sentido que nos liga à Luanda, que se travou a histórica e memorável “Batalha do Kifangondo”, numa altura em que mercenários de várias nacionalidades e seus aliados, tentaram sem sucesso, impedir a proclamação da Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975.
Prezados compatriotas e camaradas;
Actualmente e felizmente, já temos maior facilidade de acesso a literatura portuguesa e podemos ler, na colecção de livros sobre o processo da “DESCOLONIZAÇÃO”, Volume 2, referente “A luta de libertação” (2015:69-77), que o 4 de Fevereiro é consequência de acontecimentos anteriores que vinham ocorrendo, pois teve influência do movimento revolucionário proporcionado pela independência do Congo Belga em 1960, por um lado, e por outro, 1961 foi um ano de recessão económica em Angola atribuída às quedas dos preços do café, do algodão e dos produtos da indústria de pesca do Sul, com reflexos nos salários e no emprego, em que as populações da Baixa de Cassanje foram as primeiras a se manifestar, por falta de pagamentos aos agricultores da cultura do algodão, concessionária da então empresa Luso-Belga Cotonang.
As referidas manifestações foram sendo reprimidas com intensidade que se foi agravando até o massacre dos camponeses que se manifestavam por razões já referidas, a 4 de Janeiro de 1961, razão pela qual celebramos a data como sendo de “Dia dos martires da repressão colonial”.
Estes actos não foram isolados como muitos pretendem fazer crer para desacreditar o movimento político e estratégico dos seus protagonistas. Uma nota (condenatória naturalmente), publicada pelo então Ministério da Informação de Angola, reconhece em Neves Bendinha, um grande mobilizador de massas, que com Paiva Domingos da Silva, Virgílio Sotto-Maior, Raul Deão, Imperial Francisco Santana, João Bento e Cadete, planearam e executaram treinamento militar com catanas, de cerca de três mil patriotas recrutados nos bairros de Luanda, politizados e predispostos a atacar.
Dias antes ao 4 de Fevereiro, Neves Bendinha visita Mendes de Carvalho detido na Casa de Reclusão Militar, para lhe comunicar o que havia de ocorrer no dia 4 de Fevereiro, tendo lhe lembrado passar pelo Cónego Manuel das Neves. Este informado da decisão tomada, satisfatoriamente surpreendido questionou: “Vocês podem fazer isso só com catanas?”, ao que Bendinha, dura e terminantemente, respondeu: “Morrer ou viver”. E Cónego, impávido de impedir a acção, concluiu: “Vão iniciar a Luta de Angola.
Sem isso Portugal nunca poderá reconhecer a Independência de Angola”. Assim, o 4 de Fevereiro, parece-nos correcto ser considerado uma das primeiras referências da luta contra a colonização Portuguesa em África, porquanto o acontecimento abalou Portugal e África, pelas repercussões dos ataques libertadores dos presos políticos que se encontravam, uns no pavilhão principal da PID em Luanda, e os outros na Casa de Reclusão Militar e na prisão de São Paulo, destinada à presos de delito comum, para aonde haviam transferidos alguns presos políticos.
A celebração do sexagésimo Aniversário do “Dia do Início da Luta Armada de Libertação Nacional” acontece num momento de grandes desafios que testam a resistência dos angolanos. O principal destes desafios é, justamente, controlar, no País o avanço e os efeitos da pandemia da Covid-19 que, a escala global vem impondo restrições, alterando o estilo de vida das populações e dilacerando sistemas económicos, com a mesma tenacidade com que teima em ceifar vidas humanas.
O Executivo angolano, reconhecendo as debilidades com que o nosso sistema de saúde ainda se debate, em tempo útil, tomou um conjunto de medidas para proteger a população e salvar o maior número possível de vidas, diante do elevado número de vítimas mortais que se registam nos países mais desenvolvidos e com um sistema de saúde melhor estruturado.
Excelências;
Caros Compatriotas;
Ao comemorarmos aniversários que preenchem os anais da nossa heróica e vencedora luta pela conquista da liberdade e da nossa Independência Nacional, devemos explorar todas as formas e meios possíveis de divulgação e de sensibilização da nossa juventude para o conhecimento da nossa história, pois não basta aprender nas escolas e nas universidades que “um povo sem história é um povo sem cultura”. Precisamos de continuar a transmitir à toda juventude angolana, seja qual for a sua filiação partidária, a sua cor, ou o seu credo religioso, toda juventude angolana precisa saber quanto custou a nossa liberdade e a Independência Nacional, porque os nomes dos seus ancestrais constam entre os de milhares de angolanos que não hesitaram em sacrificar as suas próprias vidas.
É necessário estarmos conscientes da necessidade de defendermos, permanentemente, os interesses superiores da Nação, consolidando a Unidade e Reconciliação Nacional, observando sempre o princípio de que na relação entre os estados não existe amizade. O que deve regular as nossas relações com outros estados são os Interesses Nacionais.
Caros compatriotas;
Em 45 anos de independência, trabalhou-se imenso para que os angolanos vivessem com dignidade. A nossa estabilidade política permitiu-nos iniciar um período com níveis de crescimento económico que já produziu alguns resultados positivos em várias áreas com destaque para a diversificação da nossa economia então, totalmente, dependente do petróleo, a reconstrução de infra-estruturas ao serviço da economia e a construção de vários fogos habitacionais para, paulatinamente, irmos resolvendo a necessidade da casa própria, um dos maiores anseios da maioria das nossas populações.
Neste momento, com o Programa Integrado e de Intervenção dos Municípios – PIIM, os governos provinciais e Administrações têm sido incansáveis em desenvolver esforços para que este programa gizado pelo Executivo aumente a qualidade de vida dos cidadãos.
A Província do Bengo não está isenta desta realidade nacional, pelo que temos verificado o esforço que tem sido empreendido na execução dos projectos e programas nos domínios do melhoramento e expansão das infra-estruturas económicas e sociais, nomeadamente, na construção e reabilitação dos principais eixos rodoviários, hospitais, escolas, edifícios administrativos, campos agrícolas, entre outros.
Excelências;
Caros Compatriotas;
O 4 de Fevereiro de 2021, comemora-se numa altura em que o país está apostado em prosseguir com a diversificação da economia, com a criação de um ambiente de negócios mais próximo do investimento privado nacional e estrangeiro. Igualmente, o combate à corrupção, ao nepotismo e a impunidade têm cada vez menos espaço, devido as corajosas medidas que o Executivo liderado pelo Camarada Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, e a actuação dos órgãos de justiça contra aqueles que fazem mau uso do erário público. Tudo na perspectiva de reafirmar o compromisso para com o povo, na boa governação e transparência na gestão da coisa pública, para a moralização da sociedade. Apraz-me enfatizar que, iniciamos o ano de 2021 com muito optimismo e uma nova esperança. Com o exemplo dos Heróis do 04 de Fevereiro, temos a missão de recuperar o fôlego da nossa economia fazendo uso correcto dos recursos financeiros que são colocados à disposição dos gestores públicos. O Estado para satisfazer as necessidades colectivas, precisa que os recursos financeiros de que dispõe sejam bem gastos.
É com esse sentimento que termino a minha intervenção, em representação do Camarada Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, por ocasião da comemoração dos 60 anos do início da luta armada de libertação nacional.
4 de Fevereiro: Preservar e Honrar a Memória dos Heróis da Pátria Angolana!
Viva os Heróis de 04 de Fevereiro!
Viva Angola!
Viva a Unidade e a Reconciliação Nacional!
Muito Obrigado!

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